28 de fevereiro de 2013
03:01 da madrugada
Por muito tempo achei que somente a solidão bastava, mas há algo dentro do peito que pede mais, a pele pede um toque seguido de arrepio. Mas parece que nada me é suficiente, a um grande vazio no estomago e no peito que nada é capaz de me satisfazer, nem se quer a imaginação chega perto. Queria poder imaginar finais felizes novamente, mas ainda é pouco. É mais que ter alguém, um namorado, um companheiro, um amigo, um irmão, um pai, um deus, talvez seja tudo isso junto, mas dificilmente alguém vem com esse combo, ou é bata frita ou refrigerante pra acompanhar o meu hambúrguer.
E a única companhia que me agrada é minha sombra, quanto mais vivo, percebo que sou um pássaro que voa só na imensidão azul do céu, mas me falta a brisa nas asas, me falta o galho à pousar, me faltar sentir o sabor.
Me assusta e me conforta a ideia de envelhecer só, eu não acredito no que as pessoas me dizem, sei muito bem o que sinto, o que vejo, o que sou e o que o futuro me reserva é uma incógnita, nem sei se realmente será uma somativa do presente, não o vejo, acho que perdi a capacidade de tentar imagina-lo, talvez por medo. Essa palavra mesmo. Não é medo de escuro, da morte, da solidão, é medo do amanhã. Eu me sinto deslocado, como se eu não fosse daqui, como se esse rosto não fosse meu, como se nada que eu vivi fosse meu, como se eu não fosse eu, eu queria partir, mas não sei pra onde, queria ir pra mais longe possível de tudo, e quando eu digo tudo é esse planeta, essa vida, essa existência. Mas as vezes o que mais eu sinto falta é de um abraço. Eu não sei de qual abraço, ou de quem, queria só estar nos braços de alguém, que me afagasse o cabelo, que eu pudesse sentir o cheiro o toque. Talvez eu não tenha um porto seguro, eu não vejo proposito em nada, não vejo sentido em viver, e vou confessar não queria viver, não por raiva da vida de deus ou qualquer outro motive de uma pessoa "normal", simplesmente é um desejo da alma, de lá de dentro do meu ser, não queria, simplesmente assim.
Quando eu penso sobre tudo isso, eu sinto um gosto, uma vontade de como se eu quisesse deixar esse corpo, me sinto dentro de uma prisão de carne, como se eu sentiria paz somente com uma bala alojada dentro do meu peito. Liberdade é o que eu teria, essa palavra que me atormenta, é a unica que eu sinto como se estivesse a minha frente mas não posso toca-la, quase a sinto, eu fecho os olhos e sinto o vento no meu rosto, sinto o frio na minha pele, vejo a lua no céu, me abraço com toda a força que tenho a uma arvore, parece saciar por instantes esse desejo insaciável de liberdade, mas ainda não é o suficiente. E é assim que eu imploro a Deus que me tire daqui de dentro do que não sou.
Me deixe ir embora, nenhuma droga, sexo, ou qualquer outro vicio é suficiente pra me saciar, eu quero mais que qualquer coisa, mais que qualquer coisa que você tenha a me oferecer, eu não me sinto atraído por qualquer pessoa, são só pessoas, insignificantemente ao meu ver, nada nem ninguém seria capaz de se quer preencher esse buraco negro dentro do peito, a vontade que eu tenho é de deixar todos, não que eu queira magoar alguém, é que eu não me sinto parte de nada, existem pessoas boas, pessoas que eu gosto, que eu preso muito, mas eu não pertenço a elas, eu não quero atrapalhar suas vidas, eu não sou parte dessa vida, e nem quero fazer, sinto que a qualquer momento vou sair por aquela porta e correr pro mais longe possível por onde eu me perca e nunca mais volte, o que me falta pra fazer isso eu não sei. Deus me dê um sentindo ou um puxão de orelha, eu me sinto maior que você, esse buraco no meu peito cresceu de mais, as vezes eu te peço que coloque alguém na minha vida, que destrua tudo o que conheço e que me faça começar tudo de novo, alguém que me abrace, alguém que eu ame, mas acho muito difícil, amor eu entendia errado, eu não sei o que é amar, eu achava que sabia, era fácil confundir ilusão com isso, hoje mesmo que meu passado voltasse eu diria não, a solidão tem um gosto melhor que aquilo, nem se eu pudesse viver aquele sonho eu não queria, agora eu sorrio, eu não quero alguém simples, eu não quero alguém complicado, eu não quero um clichê, ME SURPREENDA DEUS. Você me conhece melhor do que ninguém, ou talvez não me conheça? Como eu não me conheço. Eu não sei o que está lá dentro, essa angustia aqui dentro eu não sei o que é, talvez eu esteja vendo só a ponta da montanha coberta de nuvens.
Talvez tudo pudesse ser diferente. E mesmo que fosse? Eu não estaria completo, nem uma outra vida me seria suficiente, nem milhares dela, o infinito pra mim é patético, a imortalidade pra mim é efémera. Acaba.
E amanhã eu vou acorda e não vou lembrar disso ou vou tentar não lembrar, de vergonha de ver o que realmente está dentro da minha alma. Tudo isso me irrita,
Sinto que a qualquer momento vou rasgar minha pele e voarei por aquela janela, as ideias suicidas não me agradam, não penso em me matar, não acho-me no direito deixando isso bem claro, nem o quero. Entenda quem quer que seja que ler esse devaneio, é apenas um relado de dentro do meu ser, algo que estava preso e que precisou se materializar em palavras. Talvez eu e você esteja conhecendo o que ninguém tenha conhecido de mim, essa parte guarda a sete chaves.
Mas talvez essa angustia passe com o tempo, talvez eu conheça alguém que me tire desse poço, talvez eu conheça alguém que jogue no chão meus cristais de preceitos e preconceitos, mas eu não vou procurar essa pessoa, chega ser ridículo a ideia de achar que qualquer pessoa seja o amor de sua vida, as pessoas cada vez menos se dão valor, ou se dão valor de mais, é retorico e ambíguo, esbarei no mesmo clichê "o que tiver que ser será" eu não estou de braços cruzados mas também não estou de pernas abertas, estou caminhado, pra onde não sei, quem sabe alguém me acompanhe. Darei sim a oportunidade à alguém, vou lutar também, mas tudo isso sem me desgastar, tudo deve ser construtivo, as mudanças devem ser para melhor sempre, mude sempre, a vida é transformação, é uma guerra com sigo mesma, mas uma guerra edificadora, que destrói pra construir algo melhor. Vou viver o que tiver que viver, vou passar oque tiver que passar, vou chorar sim, graças a Deus tenho sentimentos, vou beber a água da vida, e vou mergulhar nela e deixar a correnteza me levar por um breve instante e depois voltarei a caminhar, a vida é minha, vou pelo caminho que eu quiser, as consequências são minhas, as dores os sorrisos são meus, vou correr pelo campo que quiser, vou sentir o sol bater no meu rosto e aquece-lo, vou deixar que o resto do mundo viva uma ilusão e vou viver a minha vida, e mesmo que seja uma ilusão também não importará, viverei a minha, os meus sonhos, as minhas loucuras, as minhas tormentas, as minhas dores e as minhas felicidades, vou andar, até onde minhas pernas aguentarem e depois vou deixar meu corpo cair enquanto EU vou fazer parte do universo.
