1:38 da manhã
ouvindo Coldplay - The Scientist
Eu sou um cara que acredita no amor, sou romântico, curto toda essas paradas de carinho e afeto, gosto de abraços de beijos, de ficar o dia todo agarrado sem fazer nada, gosto de receber e escrever cartas de amor, gosto de ouvir músicas românticas e me imaginar vivendo tudo o que elas dizem, gosto de filmes de romance e drama (são meus favoritos), gosto de chorrar vendo um filme desses ou lendo um bom livro, gosto quando meus olhos se enchem d'água quando ouço uma música que toca bem lá no fundo. Mas qual será meu problema? Porque nunca encontro o verdadeiro amor, alguém que vá me aquecer no frio e vá aquecer também meu coração duro e gelado? Existem milhares de pessoas legais e interessantes que se aproximam de mim, mas porque não surge de mim um sentimento além de amizade por elas? Será que meu destino é caminhar só? Será que não terei alguém que afagara meus cabelos nas manhã de domingo? Será que nunca vou saber o que é ir almoçar no domingo da casa da sogra? Será que eu nunca sereis apresentado como namorado para os pais de alguém? Será que a poltrona ao lado no cinema sempre estará vazia? Eu espero, e como espero, mas o tempo só tem me decepcionado, estou criando raízes no chão e nem se quer um misera flor brotou no meu peito. Será que estarei finda a eterna desventura de me apaixonar por pessoas comprometidas ou pelas quais nunca se interessarão por mim? O que há de errado comigo? Todos eu deito e imagino alguém ao meu lado, mas é só minha imaginação, não a calor humano, não a beijos de boa noite ou dormir de conchinha, e muito menos arrepios por triscar de dedos na nuca. Queria tanto fazer surpresas de aniversários, segurando rosas e chocolates, queria tanto ir ao shopping comprar presentes de dias do namorado, queria tanto ligação antes de dormir e mensagens de saudade durante o dia. Mas o que há de errado comigo? Eu peço tanto a Deus todas as noites, alguém que preencha esse vazio que há dentro do meu peito, alguém que eu ame e que me ame. Queria tanto levar um(a) namorado(a) pra dormir em casa, pra jantar, pra ir no barzinho ouvir música e tomarmos um vinho, queria tanto deitar em um colo e ver as estrelas e o luar de madrugada, queria tomar banho juntinho, brincar com a espuma, queria tanto deitar e ficar olhando nos olhos até pegar no sono, queria beijos entre sorrisos, queria mordidas no lábio, cravar de unhas na pele, suores misturados,voz rouca de manhã e rosto inchado, queria a presença e não a ausência. Mas o que há de errado com o mundo? Todos encontrando as pessoas de seus sonhos, fazendo planos, tendo filhos cachorros e casas com jardim, outros curtindo a vida sem pensar no amanhã, beijando transando sem parar, e porque isso não é pra mim? Porque as vezes me parece tudo tão sem graça? Porque eu não posso ter uma pessoa de quem vá gostar ou ter desregrada que eu vá gostar? Porque me sinto como se estivesse no deserto mesmo estando numa multidão? Porque eu e a solidão nos tornamos tão íntimos? E quando eu penso eu imagino eu sonho, eu quase posso sentir o sabor, o toque, a sensação de estar com alguém, de estar feliz, de estar dividindo uma vida, de estar vivendo. O tempo me corroí, me oxida, me envelhece sem que eu possa aproveitar o que de melhor a vida tem a me oferecer que é um semelhante. Eu fico vendo as pessoas juntas, felizes, sei que existem problemas e dificuldades mas a satisfação de estar com quem se gosta parece transcender tudo isso, e eu fico me vendo naquelas pessoas, dizendo pra mim mesmo "Amanhã será você", mas nunca chega essa amanhã, nunca é. Com 19 anos eu sinto como se tivesse vivido 90, como se uma vida inteira passasse diante dos meus olhos, e eu fui mero espectador, não contracenei, não vibrei, não chorei, não amei, não sorri, não fui beijado debaixo de chuva, não fiz sexo dentro de um carro e de uma barraca, não fui acampar, não acendi uma fogueira e fiquei abraçado sento acariciado diante do fogo, não usei um anel de compromisso, não chorei de felicidade, não tive surpresas de aniversários, não fui a motéis, não andei de mãos dadas na rua, não dividi um sorvete, não tive uma discussão de relacionamento, não chorei de saudade, não tive despedidas de longas viagens, não tive um beijo apaixonado, não vi uma lagrima cair por estar se reencontrando, não tive filmes com pipoca e edredom, não tive domingos chatos salvos por por passeios no parque, não sai com os seus melhores amigos, não fomos jogar bola, não fomos ver um jogo no estadio juntos, não tive abraços por trás quando estava perdido em meus pensamentos, não fiz planos pro futuro, não planejamos comprar uma casa, um carro, não escolhemos os moveis, a decoração, o nomes dos filhos, a raça e nome do cachorro, não fomos na locadora, não escolhemos os jantar, não fui te buscar no trabalho, não tomamos café da manhã juntos, não tivemos os lanche da tarde de sábado com chá, não dancei aquela música romântica abraçadinhos e bem lentamente, não peguei uma camisa e cheirei pra matar a saudade, não usei seu short favorito, não discutimos o final da peça, não tiramos a nossa foto mais bonita, não bebi muito e você cuidou de mim, não fiz o mesmo por você, não te abracei naquele momento triste... E são tantas as coisas que eu vejo diante dos meus olhos, mas é somente desejos da minha alma que não se realizam. E quanto eu mais penso nisso, vejo que isso tudo não é pra mim, que nunca terrei esses e outros momentos semelhantes. E eu quase sinto o gosto.
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